sexta-feira, 24 de abril de 2015

Cinco motivos para (des) comemorar cinco décadas de existência da Globo

1. Globo monopoliza as comunicações no Brasil: diversidade, a gente não vê por aqui.

Formado por revistas, jornais, rádios e TVs, o Sistema Globo possui 122 emissoras, sendo 117 afiliadas. A TV Globo desrespeita a Constituição, que no seu art. 220 proíbe o monopólio e o oligopólio. Em nenhum outro país do mundo existe uma concentração da propriedade na mídia como no Brasil. A Globopar, que não inclui os jornais e rádios do grupo, já é hoje a 5a maior empresa brasileira em lucro líquido, e sua receita representa mais de 60% do capital do setor no país. Este monopólio se transformou num 4o poder 'disfarçado'. Indica Ministros (os casos de Antônio Carlos Magalhães e Hélio Costa à frente do Ministério das Comunicações são conhecidos), tenta eleger e derrubar Presidentes, e tem amigos poderosos entre os políticos (o atual Presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, é um deles). A concentração da posse dos meios de comunicação impede a circulação de opiniões plurais e de conteúdos que deem conta da diversidade da cultura brasileira. Predomina na Rede Globo, o pensamento único e a defesa dos interesses econômicos e políticos da própria emissora e do grupo social a que ela pertence.


2. Globo desrespeita Constituição com a cessão de canais de rádio e TV afiliadas a políticos: Zorra Total no Congresso.

Violando o artigo 54 da nossa Constituição Federal, vários políticos, senadores e deputados, são concessionários de Rádio e TV, sendo muitos dessas emissoras afiliadas do sistema Globo. Os casos clássicos já se tornaram folclore: a família Sarney, no Maranhão; a família Magalhães (ACM), na Bahia; Collor, em Alagoas; Jader Barbalho, no Pará; e por aí vai. Essa promiscuidade entre a TV Globo e certos políticos conservadores, leva a emissora a defendê-los, e a acobertar seus erros e crimes, como faz agora com o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, envolvido em vários processos e na própria Operação Lava-Jato.

3. A Globo viola os direitos humanos: luz, câmera, violação!

Todo esse patrimônio, em grande parte adquirido pelo mecanismo das concessões públicas dadas pelo Estado brasileiro, atua como organizador e difusor de ideais conservadores que criminalizam movimentos sociais e a juventude, estereotipam e discriminam mulheres, negros, indígenas e LGBTs, banalizam a violência, erotizam e mercantilizam precocemente crianças e adolescentes, reduzindo-os a consumidores, dentre outras inúmeras violações de direitos.

4. Globo tem linha editorial tendenciosa e cobertura jornalística que privilegia os “amigos” da emissora.

Vale a pena ver de novo a cobertura que se esforçou para ignorar as Diretas Já, a tentativa de fraude das eleições do Rio de Janeiro de 1982 para impedir a eleição de Leonel Brizola, a manipulação do debate das eleições presidenciais de 1989 para favorecer Fernando Collor. Mais recentemente a Rede Globo passou a ser questionada nas manifestações de rua que ocorreram em 2013 e nas que vêm ocorrendo ao longo deste ano. A disparidade no enquadramento e no espaço dedicado à cobertura dos dois momentos políticos – as chamadas jornadas de junho e as manifestações de 2015 – são elementos importantes para se pensar a posição política do grupo econômico que detém a emissora. A TV Globo não disfarça o espaço e o apoio dado às manifestações contra o atual Governo Federal, usando sua cobertura jornalística inclusive para convocar tais manifestações, enquanto outras manifestações de movimentos sociais que lutam por mais democracia e mais direitos, têm pouco espaço em seus telejornais.

5. Globo corrompe e sonega.

A emissora dos Marinhos é acusada também de corrupção. O serviço de inteligência da Polícia Federal detectou indícios de sonegação e auditou as contas da Globo. Em 2006, a empresa deixou de recolher impostos que, à época, com multa e correção, chegavam a R$ 615 milhões. Hoje, a dívida passa de R$ 1 bilhão. Além disso vale lembrar outros episódios de corrupção como sua origem duvidosa no escândalo Time-Life (empréstimos irregulares de capital estrangeiros, proibido pela Constituição na época), o escândalo da NEC Brasil, quando a TV Globo comprou a maioria das ações dessa grande empresa de telecomunicações, depois de um descarado favorecimento do então Ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães (ACM), que ganhou em troca o direito de retransmitir a programação da Globo em sua TV local na Bahia e a fraude cometida por Eduardo Cunha, quando Presidente da TELERJ, numa operação de R$ 92 milhões, sem licitação, beneficiando a mesma NEC Brasil (TV Globo). Por práticas como essa, o sistema Globo garante à família Marinho o patamar de mais rica do país com uma fortuna avaliada em US$ 28,9 bilhões.

Por outros 50 anos mais diversos, plurais, com respeito à liberdade de expressão e ao direito à comunicação. Por mais democracia na TV Globo.


Por uma mídia democrática, acesse: para expressar a liberdade.

Por FNDC.
Publicado originalmente em: http://www.fndc.org.br/

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